sábado, 28 de março de 2009

O tempo do nunca às vezes volta
e traz com ele lembranças
do que nunca deveria ter sido
Noite que vem me trazendo coisas que não quero.
Estilhaços de mim que voltam feito bumerangue.
Fragmentos de um passado supostamente esquecido.
Lágrimas que não querem ficar dentro de mim.
Peito, garganta, estômago, tudo misturado.
Se eu pudesse vomitaria sentimentos.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Ele a levou ao lugar mais alto que podia
e de lá a jogou sem paraquedas
mas isso foi no tempo do nunca
É incrível como a vida brinca de inverter papéis com a gente. Se um dia somos protagonistas em outro passamos a meros expectadores de uma mesma história. Os acontecimentos nos levam a posições opostas, a outro lado da história, a ver as coisas sob outro ângulo. Estranheza talvez seja a palavra mais adequada para usar. Uma estranheza vazia e cinza como se mil anos se tivessem passado. Como se a história houvesse se perdido e em seu lugar outra tivesse sido escrita. Amnésia lembrada e absurdamente trancada a sete chaves em um lugar inacessível e para sempre intocável.

domingo, 15 de março de 2009

Para um sonhador

Gosto de você
assim sem explicação
como se gosta das coisas boas
que adoçam a boca e a vida.

Gosto assim por gostar
sem precisar ver ou possuir
tipo amor incondicional
ou algo parecido.

Gosto de graça
puramente por gostar
e é um sentimento puro
de um imenso bem querer.

Gosto de você
e é isso que importa
nada mais.

sábado, 14 de março de 2009

O amor é assim
chega e não pede permissão
se acomoda no coração
e ali fica
e a gente sem saber o que fazer
vai tentando se ajeitar
da maneira que pode
e ele
o amor
só vai se alastrando
e se apoderando
de tudo o que há em nós.
Posseiro!!!

domingo, 1 de março de 2009

Como é estranho querer consertar coisas.
Querer colar cacos com super bonder.
Melhor nem tentar, é visível as rasuras.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

E a chuva cai silenciosa novamente. Sinto minha alma renascer a cada pingo. Tenho a sensação de que ontem viajei milhas até lugares desconhecidos. Hoje volto com a chuva e meus pés ainda não encontraram o chão. Sinto-me flutuando e procurando o melhor lugar para meu pouso. Ontem eu saltei de meu precipício e fui sozinha. Para meu maior espanto não morri. Eu não tinha consciência de quanto minhas asas eram grandes e de como eu poderia voar sem amparo. Saltei sozinha e não morri.
Agora estou aqui flutuando com a chuva, planando no ar, respirando bem de leve, sentindo o gosto da liberdade, da libertação. Estou voando na chuva e a esperança molha meu rosto. Estou voando e é isso que importa.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Não quero mais viver a vida em cores cinzas
quero misturar-me ao arco-íris
e ter a ousadia de ser feliz.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Você já se sentiu uma gota no oceano?
Um grão de areia no deserto?
Um eco perdido no universo?
Nem queira porque dói
e é uma dor de alma só.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Invisibilidade

Ando em meio a tanta gente e ninguém me nota. Esbarro em um e outro mas é como se nada fosse. Passos ora apressados ora lentos, porém sempre contínuos e carregados de algo que me pesa as pernas e a alma. Carrego meu corpo com a invisibilidade mórbida dos passantes sem sentido de uma vida sem explicação.
E se eu gritar alguém será capaz de me ouvir?
E se eu pedir alguém me atenderá?
Surdos, mudos, cegos!
E eu, invisível!


segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009


Você é lindo e vem como um anjo na minhas noites de solidão.
Você me encanta e canta pra mim uma linda canção e eu fico apaixonada.
Você me abraça e diz que o mundo nos pertence, que o amanhã não existe e que o momento presente é o mais belo.
Você me beija e diz palavras tão lindas que parecem flores perfumando minha vida.
Você me ama e me leva para um mundo de sonhos do qual não quero mais retornar.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

O pássaro vivia livre, sobrevoando os ares. Suas longas asas flutuavam quando planava seu lindo voo. Seu canto era ouvido além do horizonte e a felicidade habitava seu coração. Seus dias eram de luz e à noite descansava nas estrelas. Não havia nada que perturbasse sua paz e seu coração voava tanto quanto suas asas. Porém um dia, o pássaro descuidado pousou em mãos desconhecidas, mãos que tinham tanto brilho que era impossível resistir a elas. E foi sua perdição. Suas asas foram cortadas e ele foi aprisionado. Sem dizer o motivo as mãos foram embora o deixando sozinho em sua nova morada. E seu coração ficou pequeno. E sua compreensão não existia. Resignou-se e com a ferida no peito resolveu que continuaria cantando. E seu canto continuou sendo ouvido e na impossibilidade de voar algo dentro dele foi se modificando. Um outro pássaro foi nascendo como a vida que se reinventa e cria novas formas na busca desesperada pela sobrevivência. E o tempo foi passando e a vida do pássaro tornou-se outra. Quando tudo parecia normal e a vida tomava seu curso de forma que ele nem sequer lembrasse que um dia o céu azul lhe pertenceu, aconteceu novamente o imprevisto, o susto, o brilho ofuscante de duas mãos que no passado haviam lhe aprisionado chegavam e abriam sua prisão. Ficara tanto tempo ali que havia se adaptado. A luz cegava seus olhos e o brilho das mãos ofuscava sua mente. E o novo pássaro que havia nascido foi saindo. Pousou nas mãos de luz e não teve medo mesmo sabendo que por causa delas esteve aprisionado por tanto tempo. Então soube naquele momento que fora preciso ficar aprisionado para nascer novamente. As mãos abriram-se e ele alçou voo em direção ao horizonte. Seu voo agora tinha outro sabor, o da renovação, da descoberta de si mesmo, da liberdade verdadeira.
Minhas palavras não tem rascunhos
elas saem livremente
assim como a vida quando quer nascer
e ninguém segura.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Vida estranha e absurda vida que nos joga contra a parede de forma tão brutal. Se por um lado sou feliz por outro meu coração dilacera. Meus pulsos estão sangrando e o gosto doce do sangue chega até minha boca e quer jorrar. Há um abismo profundo que me cerca e me chama como se a noite fosse se fazer eterna. Peças que a vida nos prega sem nossa permissão. Dias que escurecem de repente e não encontramos mais a saída do tunel escuro e poeirento. Quem fechou esta maldita porta e jogou a chave fora?

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Eu já estava conseguindo catar meus pedaços
você veio descaradamente e os separou.
Conseguirei juntá-los novamente?

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Estou à beira do precipício e sei que não posso recuar.
Se eu der um passo adiante despencarei como folha ao vento.
Se meu anjo me ouvir virá em meu socorro e me acolherá em suas asas,
mas se me abandonar...
morrerei.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

E o dia amanheceu apesar de todas as dores
E o sol nasceu indiferente ao que se passa dentro de mim
E a vida teima em continuar!

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Maldito nó na garganta que não desce nem salta pra fora. Vida desregrada e ingrata que apronta sem nossa permissão. Tudo desce pelo ralo como água do chuveiro na hora do banho. Vai embora feito espuma e sabão, suor e poeira. Fica o nada remoendo por dentro como um fantasma velho e assombroso que teima em fazer sofrer mesmo sabendo que dentro daquele peito a alma já quase morreu. O grito preso quer ser liberto e sair pelos ares mas falta fôlego. Não existe espaço dentro pra tanta dor e lá fora a dor também não caberá.
Prisão, dor, impaciência. E o ar que não chega até os pulmões. É difícil morrer? Viver é bem mais.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Você é uma mistura de anjo com demônio
é como provar pimenta com mel
é como comer um doce com uma pitada de veneno.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Lambuzei meu corpo todo na lama.
Você veio e se esfregou em mim.
Imundos!

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Não tenho compromisso com as palavras,
deixo que elas saiam de mim como pássaros que lançam vôo no infinito azul do céu.
Às vezes elas são leves e flutuam como plumas,
porém outras vezes pesam como chumbo
e nestas horas sinto dentro de mim o gosto amargo do fel.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009


Sentimentos torpes e insanos que vagam em minha mente feito balões coloridos e estonteantes provocando um desejo vulgar e barato de tragar a vida em um só gole e sair na noite feito bicho louco. Sede de um copo que transborde de uma bebida que embriague e me faça ver a vida do avesso. Andar no escuro e ter só o brilho dos olhos a iluminar a noite como pirilampos a procura de repouso. Sentimentos que me dominam e me galopam como se eu fosse um potro selvagem me puxando a crina e me ferindo as ancas de forma que não consigo me desvencilhar.
O pecado me espera do outro lado da rua e quando eu der o primeiro passo será tarde para voltar atrás.

Será loucura ou a sanidade se apossou de mim?

sábado, 3 de janeiro de 2009

Certa vez há bastante tempo atrás eu me encontrei em uma estação encantada, não sei como fui parar lá, acho que por um instante na vida eu dormi e ao acordar lá estava. Num determinado momento um trem mágico apareceu com seu apito que parecia me chamar. Sem ao menos pensar subi no trem e a viagem começou. Não havia trilhos nem caminhos em que ele não pudesse ir, em algumas vezes eu colocava minha mão para fora da janela e tocava as nuvens, outras vezes segurava a ponta das estrelas. O vento que entrava tinha o frescor das montanhas mais íngremes e dependendo de onde o trem se encontrava eu sentia o doce aroma do jasmim ou o cheiro refrescante do eucalipto, o gosto do mais puro mel ou a pimenta que ardia na boca com sabor de pecado. Era uma viagem louca sem destino de chegada, mas eu pouco me importava desde que pudesse continuar viajando e escutando o barulho do trem que flutuava no universo dos meus sonhos.
Mas um dia, por um descuido, em um breve momento desci e o trem seguiu seu caminho me deixando na estação solitária sem ouvir o meu chamado.
Até hoje sonho com sua volta e escuto seu apito, mas dentro de mim bem sei que trens mágicos quando se vão nunca mais retornam.
Lou Witt

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Não temo te encontrar novamente na roda viva da vida
meu maior medo é me perder em ti e não mais me encontrar.

Lou Witt

Vem me tocar em acordes e me transformar em melodia
levar-me até as brancas nuvens no azul do infinito
e cavalgar as estrelas que bailam na escura noite.

Vem com seus dedos mágicos tocar minhas cordas
para que o universo ouça os sons que de mim saírem
forjados por tuas mãos e lapidados por teus caprichos.

Vem e encosta teu corpo ao meu
porque uma parte de mim é brasa
e a outra é molhada...

domingo, 28 de dezembro de 2008

Como são tolos os momentos que deixamos passar sem nada fazer, preferindo o absurdo vazio das horas e as lacunas que os dias vão deixando. Amanhã quero deixar que minha loucura ultrapasse os limites do medo e da censura, quero me entregar aos sonhos impossíveis, que vão além das fronteiras do real e previsível. Quero te encontrar e te dar meus abraços, meus doces beijos e a pimenta do meu corpo. Quero me unir a ti como vulcão incandescente, te queimar em meu fogo e me afogar em tua lava. Amanhã não existirá talvez, será sim ou não, será chuva ou fogo.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

O amor e o ódio são meus companheiros
andam comigo lado a lado
e isso me assusta.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Hoje resolvi sacudir o pó do tempo
caiu em meus olhos um vestígio de poeira
tão insignificante que uma pequena lágrima limpou.
Hoje eu abri a porta onde estão guardadas as tuas coisas. Entrei quase levitando, com medo de tocar em algo, não querendo abrir os olhos, com o coração apertado no peito e a alma deixei do lado de fora. Quando resolvi respirar percebi que teu cheiro não estava mais lá e ao abrir os olhos me deparei com um cenário de cores bem diferentes das que meus olhos tinham visto desde a última vez em que lá eu estivera. Como mudam as coisas com o passar do tempo. Como desbotam cores e evaporam odores. Que engrenagem é esta que trabalha em nossa ausência e que só percebemos quando tudo já está modificado? Era tudo tão lindo e agora parece tão banal.
Eu seria capaz de jurar que estaria tudo da mesma forma como eu deixara. Que mão mágica mexeu nas coisas em minha, nossa, ausência? Não posso dizer que fiquei triste com o que encontrei lá dentro, naquele lugar em que eu julgava sagrado, talvez surpresa, um pouco aliviada, esperançosa, não sei ao certo me definir, talvez apenas diferente.
Olhei tudo com cuidado, joguei uma coisinha fora, bem pequena.
Virei as costas, fechei a porta, e para minha surpresa, não doeu.
Na saida, peguei minha alma e fui embora.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

!!! Estou indo em direção ao inferno
e o demônio me espera de braços abertos.
Será que em algum lugar existirá um anjo
que possa me salvar ???

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008



Se você observar com atenção me verá como uma flor e até sentirá meu perfume,
mas se me pisar poderá ferir os pés pois meu solo tem espinhos.

domingo, 7 de dezembro de 2008

E no peito restou esta maldita brasa
e nem toda a água do mundo consegue transformar em carvão.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

No silêncio da noite que me envolvia, sonhei contigo amor, que vinhas me buscar e me levavas para longe em teus longos braços na imensidão do universo. Ah, tão sublime sentimento de abandono e êxtase, de entrega e paixão que me consumia. Teu corpo de calor insano feito brasa me devorava e nas nuvens eu voava. Como faíscas de labaredas meu corpo crepitava e minha alma parecia se apartar de mim por completo. E no mais louco abandono, na mais completa e insana entrega, quando eu já não era mais eu foi que o derradeiro fim aconteceu. De súbito meus olhos abriram-se e na imensa cama só restava o meu corpo abandonado e só. Peguei o travesseiro e entre as pernas fiz meu ninho, tentando no desespero substituir o amante distante. E na solidão da noite escura, só restou o peso da saudade que insistia em se alojar no peito e a dor dilacerante que não aplacava por mais macio que o travesseiro fosse.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Flutuo na imensidão do espaço que é meu ser e entre a realidade e o ilusório há um vácuo onde me encontro. A tênue linha que me liga entre um mundo e outro é a única coisa que me resta antes que eu me perca para sempre. Agarro-mo a ela como um náufrago em um barco sem leme e sem velas, como um andarilho no deserto com o último gole de água. O amor sangrou meu peito e deixou cicatrizes que nenhum remédio cura e dores que nenhum outro amor aplaca. Não tenho passado nem futuro, meu presente é agora e é nada. Vivo o instante e nada importa, a vida é um fio de sangue que escorre pelas veias, a vida hoje é isso, apenas isso e mais nada.

Lou Witt

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Quando a chuva cai, fina e mansa, seus pingos parecem que brincam nas poças que se formam no chão. Sinto vontade de entrar nela, molhar o corpo e a alma, sentir na pele o doce molhado de sua água. Queria correr feito criança entre as calçadas e os meus sonhos, em meio as poças e aos pingos. Encontrar abrigo entre o escuro do céu e a ponta do arco-íris, onde deixei guardado meus desejos e sonhos.
Vontade de correr descalça e de cabelos molhados, sentir no rosto a maciez da água que me inunda, encharcando minha roupa e molhando meu coração. Quando chove assim e me sinto como criança é que encontro o melhor de mim.

domingo, 16 de novembro de 2008

O lençol mágico!
Quando criança, como toda menina, costumava brincar de bonecas e casinhas.
De um lençol roubado da mãe fazia uma casa e a colocava onde queria.
Desde aquela época já era um pouco nômade, nunca ficava no mesmo lugar, movimentava-se de um lado para outro, sempre carregando o lençol que transformara em seu lar.
Agora já crescida não entra mais em uma casinha encantada, fica sempre procurando pelos cantos do mundo, tentando se encontrar.
Sente saudade das casinhas, das bonecas e do lençol mágico que ficou perdido no tempo.
Talvez um dia eu ainda o encontre novamente e faça dele sua morada.
Lou Witt
Te espero
Te procuro nas ruas por onde ando
a cada passo te procuro.
Te vejo nas esquinas de meu pensamento
onde secretamente moras.

Te quero na imaginação dos sonhos
onde tudo é possível.
Te amo em cada coisa que vejo
e dentro de mim você vive.

Lou Witt
A vida passa
e por um triz não me perco dela
A vida é bela
e quase não a vejo.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Você é a ilusão
é que não existe
o que criei dentro de mim
e dei vida falsa.
Você é o sonho desfeito
o realidade dura
e o silêncio do abismo.